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Sesc Santo Amaro inaugura a Galeria de Arte Corbiniano Lins

O Sesc Pernambuco inaugurou nessa sexta-feira (4) a Galeria de Arte Corbiniano Lins na unidade de Santo Amaro, localizada na Rua Treze de Maio, n° 455. A abertura aconteceu às 16h e apresentou a mostra “Silêncio da Forma” com peças do artista plástico pernambucano, que estará presente na solenidade. O espaço, que homenageia a Arte Moderna do Recife, chega para fomentar a cultura local.

A exposição com curadoria de Bruna Pedrosa é composta por cerca de 30 esculturas, divididas no formato de parede e base. Além disso, conta ainda com a apresentação de trechos do documentário “Corbiniano”, de Cezar Maia. A visitação estará aberta a partir da próxima terça-feira (8) até o dia 18 de dezembro, segundas, quintas e sextas, das 9h às 18h, e terças e quartas, das 9h às 21h. As criações do artista trazem traços fortes, uma das características da personalidade dele e estão espalhadas por praças e edifícios de capitais brasileiras.

De acordo com o Diretor Regional do Sesc Pernambuco, Fernando Nunes de Souza, a abertura da galeria homenageia um dos mais emblemáticos membros dessa geração de artistas. “Dentre das múltiplas atividades desenvolvidas pelo Sesc, a Cultura se destaca como um segmento especial. Seja pela tradição ou pela necessidade de se preservar acervos e apoiar artistas locais. Além de estimular potenciais artísticos adormecidos pela falta de uma política de estímulos e duradoura”, afirmou.

José Corbiniano Lins - Nascido no dia 2 de março de 1924, na cidade de Olinda, o artista, aos 91 anos de idade, segue trabalhando diariamente. É desenhista, pintor e escultor. Concebe suas esculturas utilizando isopor, metal e alumínio. Sua trajetória artística já tem mais de meio século com participação em diversas exposições coletivas e individuais em galerias, museus, espaços culturais e salões de arte no Recife, Olinda, São Paulo, Rio de Janeiro, na Europa e na América Latina.

Em 1955, foi premiado pelo Salão Oficial do Estado e participou, em Israel, da exposição patrocinada pela Sociedade de Arte Moderna do Recife. Já em 1963, recebeu a Medalha Pernambucana do Mérito e executou o monumento do 1° Centenário de Campina Grande (PB). Recentemente, em 2000, realizou a exposição Cores e Volumes, na Rodrigues Galeria de Arte. Ano passado, foi homenageado em seus 90 anos de vida pelo júri da XVIII Edição do Cine PE Festival Audiovisual, com menção honrosa para o documentário de Cezar Maia, e com a exposição retrospectiva “Corbiniano – 65 anos de Arte”, no Museu Murillo La Greca.

7 de setembro: Veja o horário de funcionamento do Shopping RioMar Recife

No dia 07 de setembro, o RioMar funcionará em horário especial! Todas as operações estarão abertas das 12h às 21h. Aproveite e venha se divertir com as diversas opções de lazer.

Feira Mística no RioMar
Até o dia 03/10, os clientes terão mais uma novidade para aproveitar no RioMar. A Feira Mística, localizada na Praça de Eventos 2, tem produtos e serviços ligados ao universo do misticismo.

Últimos dias do Liquida Grande Recife
O Liquida Grande Recife acontece até o dia 05/09 e as lojas do RioMar estão com até 70% de desconto. Há centenas de itens de moda, decoração, brinquedos, serviços e muito mais.

Quando conectar se torna mais importante do que refletir: o caso da fotografia do refugiado Aylan

Por Clécio Vidal
http://acediadepegasus.blogspot.com.br/




Não sei se essa sensação é só minha, mas parece que a comunicação está se tornando um atestado da incapacidade de responder ao questionamento: O que devo/posso dizer?

E diante do anonimato de milhares de possíveis seguidores anônimos, que se reúnem, para afiar os vícios nas redes sociais, tentamos silenciar a pergunta por meio das conexões absurdo-lógicas. Na falta de respostas, contentamo-nos em estabelecer conexões pautadas num conhecimento enciclopédico constituído por verbetes que são um híbrido de reflexão e irreflexão.

A enciclopédia chinesa, descrita por Jorge Luis Borges, ganha existência concreta na virtualidade das redes, com o agravante de que a lógica e a razoabilidade têm sido substituídas pela conectividade.
Conectar se torna mais importante do que refletir. E falo isso tentando fugir da nostalgia do convívio com a atmosfera do Iluminismo onde se acreditava que uma ideia precisava ser despida do preconceito, da superstição e revestida do contraditório, açoitada por opiniões divergentes, até que se tornasse afiada como uma espada japonesa de Hattori Hanzō.

O impacto da associação de referências parece se sobrepor ao esforço de confrontar ideias, que, por sua vez, implica o esforço maior de assumir o risco de sair desse confronto carregando estilhaços de ideias alheias.

O confronto de ideias, comumente chamado de reflexão, implica assumir vários riscos, dentre os quais o de ser convidado a esperar em silêncio enquanto outra ideia rival se expõe. O gesto puro e simples de conectar flerta com o descompromisso. Na reflexão, a etiqueta diz que enquanto um fala o outro silencia. A conectividade banalizada permite que todos falem ao mesmo tempo: na superfície, impera o ruído das feiras medievais e, no íntimo, o silêncio ou, melhor dizendo, a mudez do cordeiro imolado, ou melhor ainda dizendo, a mudez do indiferente imolado.

A imagem do pequeno refugiado Aylan, cujo cadáver encalhou em uma praia turca, não consegue descansar em paz. Extrai-se dela a aura de humanidade, e injeta-se o caráter de signo anônimo e ostensivo apto a um sem fim de conexões que, ao mesmo tempo que revelam nossa carência de paz, demonstram nossa sede pelo citacionismo. Uma cultura que tenta blindar sua psiquê reduzindo as imagens ao anonimato e, simultaneamente, abre sua mente à estética do choque expõe um trilema: a tentativa de se equilibrar (ou de acreditar que é possível equilibrar-se) sobre os pilares do sadismo, do masoquismo e da invulnerabilidade. 

Citar: algo que é mais que um mero dizer, um quase fazer que não faz, o que, supostamente, o tornaria imune a consequências sociais e jurídicas. Citação que se escora na conexão de ideias descontextualizadas ou melhor dizendo, recontextualizadas de maneira irrefletida, isto é, sem margem para o contraditório, a espera e o silêncio analítico. Citação que abre mão da síntese e contenta-se em desfiar ora o rosário das concordâncias ora o das discordâncias. E, neste caso, acaba sendo mais importante do que refletir resistir ou fazer o interlocutor desistir, como se estivesse numa Prova de Líder do Big Brother Brasil.

Ideias contentam-se em ser fantasias carnavalescas. Eleger a vencedora ou tripudiar em cima da perdedora vira o alvo do embate (que ainda se ilude de que é um debate).
O rico das conexões é o potencial que elas têm de retirar as ideias de sua zona de conforto. Afinal, a conexão cria fissuras por onde afloram aspectos represados pelo senso comum ou pelas convenções institucionalizadas por acadêmicos, juristas e profissionais midiáticos, possibilitando a luta contra a asfixia e a paralisia da reflexão.

Mas, muitas vezes, o citacionismo conectivo das redes sociais abre fendas na represa das ideias, mas coagulam o jato d’água ao injetarem no debate (embate) de ideias tirania, intolerância e autossuficiência, três elementos que, decididamente, não entram na composição da pedra filosofal angular do edifício do debate democrático-humanista. 

Neste sentido, as Time Lines tornam-se, por vezes pedras de necrotério, onde o morto é condenado à eterna autópsia, enquanto o bisturi da conectividade não se desembriaga. Mas, felizmente, a farra da conectividade, a exemplo das festas dionisíacas, não se prolongam por mais de uma semana. Isso porque existe uma lei da natureza que nenhuma revolução copernicana pode abalar: o vinho acaba e as cortinas se fecham.