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Senador Fernando Bezerra defende que Congresso Nacional vote contas do governo e debata impeachment

 
Brasília, 17/11/15 – O agravamento das crises econômica e política levaram o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) à Tribuna do Senado, na tarde desta terça-feira (17), para defender que o Congresso Nacional vote, até o final deste ano, as contas do governo relativas a 2014 para, então, “aberta e constitucionalmente”, debater o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na avaliação do senador, estes são passos fundamentais que o Brasil precisa dar para “enterrar o assunto”, sair da estagnação e permitir que o país supere as crises e retome os rumos do crescimento econômico.
“Isto não seria suficiente para recuperar o país; mas, é necessário para que possamos focar nossos esforços numa agenda que retire o país da trajetória de mais um ano de retrocesso e estagnação econômica”, destacou. “Provavelmente, muitos que desejam este debate votarão contra o impeachment e o Brasil enterraria o assunto. Qualquer uma destas duas alternativas deixará o país em uma posição melhor para enfrentar seu futuro. E deixará a presidente Dilma melhor na história do que ser a responsável pela continuação da marcha do país na direção de um colapso da economia, um retrocesso social e um caos político”, acrescentou Fernando Bezerra.
Ao chamar a atenção para a dimensão da crise econômica – que, na avaliação do senador, “pode ser muito maior do que alguns imaginam” – Fernando Bezerra Coelho pediu “iniciativa política”. “O governo, em um regime presidencialista, tem que ter um apoio mínimo e importante para poder cumprir a sua agenda e para poder ter força para enfrentar esta grave crise”, argumentou o senador, que foi ministro da Integração Nacional entre 2011 e 2013.
DESCREDIBILIDADE – Para o pessebista, uma das principais comprovações do agravamento das crises é a descredibilidade dos brasileiros não só em relação à economia como também ao futuro do país. Ao reforçar que “o Brasil está em marcha rápida ao colapso econômico, ao caos político e à desordem social”, Fernando Bezerra Coelho conclamou os colegas parlamentares ao “desafio maior”: recuperar a credibilidade das direções políticas.
“Na política, estamos sem partidos, sem credibilidade, sem sonhos, sem mesmo propostas alternativas claras. Todas as pesquisas mostram a rejeição quase absoluta ao governo, à presidente e ao PT, contaminando todas as lideranças políticas, sem exceção”, afirmou o senador. “Estamos perdendo a noção do todo, do conjunto. O Brasil está em perigo”, alertou Fernando Bezerra.
INDÚSTRIA – Entre os indicadores de deterioração da economia, o senador destacou o quadro de aceleração inflacionária, a expressiva diminuição do poder aquisitivo, o desemprego crescente, a queda da receita tributária e o aumento do endividamento público. Bezerra Coelho também chamou a atenção para o cenário “adverso” da indústria. Segundo ele, entre setembro de 2014 e o mesmo mês deste ano, a massa salarial caiu quase 8% e as horas trabalhadas na indústria, 11,6%.
INFLAÇÃO – Sobre a persistente e progressiva inflação, o senador destacou que a “recessão intensa” revela uma expectativa de que a inflação em 2015, medida pelo IPCA, superará 10%: a maior taxa desde 2002. E que em 2016, “a duras penas”, se manterá dentro do limite superior da banda de flutuação fixada por força do regime de metas. “Por isso, a taxa de juros não poderá baixar tão rapidamente quanto gostaríamos”, afirmou.
DESEMPREGO – Na visão de Fernando Bezerra, o pior de todos os indicadores é o desemprego. “Não pelo número em si, mas pela dimensão humana”, observou. De acordo com o senador, nas principais regiões metropolitanas, o desemprego saltou de 4,3% para 7,6% em apenas oito meses, o que representa, atualmente, quase dois milhões de trabalhadores sem emprego (só nas regiões metropolitanas).
“Não podemos voltar as costas aos trabalhadores que perdem seus empregos, aos pequenos e microempresários que se veem forçados a fechar as portas de seus negócios, aos cidadãos que enfrentam dificuldades para pagar suas contas e saldar suas dívidas”, ressaltou o senador. “O desemprego é a face mais visível e mais cruel da crise para as famílias brasileiras”, lamentou.
APOIO – No Plenário do Senado, Fernando Bezerra Coelho recebeu o apoio direto de sete senadores – de diferentes partidos e estados – que acompanhavam o pronunciamento do pessebista pernambucano. Para Ronaldo Caiado (DEM-GO), o Congresso Nacional necessita assumir a discussão do impeachment. “Porque é clara a falta de liderança da presidente Dilma Rousseff em aglutinar forças políticas e apoio popular”, afirmou Caiado.  
Na avaliação do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o pronunciamento feito por Fernando Bezerra foi extremamente oportuno e contará com o apoio do colega cearense. “O Brasil está indo ladeira abaixo”, afirmou Jereissati.
O senador Agripino Maia (DEM-RN) classificou o discurso de Fernando Bezerra Coelho como uma “demonstração da coragem de um nordestino preocupado com o país” e avaliou que “o governo não tem unidade nem autonomia porque perdeu a capacidade de governar”. O discurso de Fernando Bezerra também recebeu o apoio dos senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP), Cristovam Buarque (PDT-DF), Ana Amélia (PP-RS) e Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Confira, abaixo, o pronunciamento completo do senador Fernando Bezerra Coelho:

“Srª Presidenta, Srs. Senadores, Srªs Senadoras,

Hoje, quero registrar minha preocupação com a perspectiva de agravamento da crise econômica por que passa o País.

Desde o final do ano passado, começou a se desenhar um quadro de desaceleração da atividade econômica, fruto de fatores internos e externos, que se combinaram de forma perversa e destruíram muito rapidamente as esperanças de crescimento econômico e geração de emprego e renda. Desde então, temos enfrentado um quadro de aceleração inflacionária, expressiva diminuição do poder aquisitivo, desemprego crescente, queda da receita tributária e aumento do endividamento público, tanto em termos absolutos, como em proporção do Produto Interno Bruto, entre outros indicadores negativos.
A maior ameaça que enfrentamos hoje é, sem dúvida alguma, a perspectiva de continuidade e talvez de aprofundamento do quadro recessivo que vivemos. A possibilidade de esse quadro ainda mais negativo se confirmar não é remota. As expectativas do PIB em 2016 aumentaram sensivelmente nas últimas semanas. Ao menos é o que revela o último Boletim Focus, publicado pelo Banco Central, na sexta-feira da semana passada. Até quatro semanas antes do último boletim, o mercado financeiro apostava em uma queda do PIB em 2016 de apenas 1,22%. Na semana passada, essa expectativa de queda já ultrapassava dois pontos percentuais negativos.
Para perceber a velocidade de deterioração das expectativas, comparemos com o mesmo relatório Focus de seis meses antes. Naquela época não tão distante, a previsão era de uma queda na atividade econômica de apenas 1,2% para este ano e uma recuperação, já em 2016, da ordem de 1%. Hoje, a expectativa de queda para este ano é de 3,1% e, como acabei de assinalar, de mais de 2% negativos para 2016. São cinco pontos de queda do PIB em uma recessão de dois anos! O salto da taxa de câmbio, que poderia ser um fator de estímulo à exportação e ao setor que concorre com importações, ainda não gerou os efeitos esperados. Isso porque, mesmo ignorando o efeito nocivo do câmbio sobre o endividamento externo de muitas empresas, houve uma queda dos preços das exportações brasileiras da ordem de 20% entre julho do ano passado e julho deste ano.