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Reportagem especial: A inclusão do idoso no ensino superior

Dona Lindaura,96 anos, vira exemplo de perseverança ao concluir segunda Pós-Graduação no Recife



Max Felipe
jicmax@gmail.com




Professores confiam no potencial de dona Lindaura. Foto: Divulgação.


A mulher mais idosa do Brasil a se formar na pós-graduação em Direito Público, dona Lindaura Cavalcanti, 96 anos, prova que a terceira idade está cada vez mais interessada na educação superior, no século 21. Natural do município de João Alfredo, no Agreste de Pernambuco, ela aprendeu a ler e escrever aos três anos, estimulada pelo pai. Logo, um ano depois, como um ‘flash disparado em uma máquina fotográfica’, começou a falar fluentemente a língua francesa, pois na época não exista a facilidade da internet para estudar idiomas online. 

Formada em Farmácia há 39 anos, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ela administra um estabelecimento comercial no Recife, cidade onde reside, e se interessou por Direito. Religiosa, pretende aplicar o conhecimento do seu conhecimento segundo curso, adquirido em sala de aula da Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco (FCHPE), na defesa dos pobres. “Discordo de muito coisa da legislação brasileira”, contou. Com tanta garra, não quis parar nos estudos e ganhou duas bolsas de Pós-Graduação. Uma em Direito Processual, outra em Direito Público.

A formatura de Direito Público aconteceu sábado passado, dia 10 de dezembro, às 10h, no auditório da FCHPE, na avenida João de Barros, Boa Vista, no Recife. Mantida pela Sociedade Pernambucana de Cultura e Ensino (Socepe), a FCHPE confia no potencial de dona Lindaura.  Representando o corpo docente, o professor da instituição Gilberto Valença; o diretor da unidade Silvio de Albuquerque Santos; e o diretor-geral Luiz Alfredo (filho de Pinto Ferreira, advogado, político e escritor brasileiro – onde foi membro da Academia Pernambucana de Letras, cadeira 6),  acreditam de uma maneira tão alusiva na expansão da educação superior aos idosos. “Eles também merecem uma chance no mercado, bem como, são estudantes assíduos e dedicados, encaram a educação com muita responsabilidade”, explicou o professor Gilberto.

Ainda jovem, quando terminou os estudos do ensino médio, dona Lindaura começou a namorar Mário Cavalcanti de Arruda. Ele era um ano mais velho e para escapar da convocação da Segunda Guerra Mundial casou-se ligeiramente com dona Lindaura, em 1945. Mesmo casados, cada um morou com seus pais. Depois de ter os cinco filhos no interior do estado, o casal se mudou para o Recife, onde manteve uma farmácia. Em 1977, dona Lindaura prestou vestibular e foi aprovada em farmácia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde se formou. Após o falecimento de seu esposo, em 2004, ela disse ter entrado em depressão. Diante dessa situação, a filha mais nova matriculou a mãe na hidroginástica. Depois no curso de direito. “Eu me renovei na faculdade e agora com a pós-graduação. Completou a minha vida. Achei uma maravilha, adquiri mais conhecimento”, disse.

Redes sociais
A Fanpage da Sociedade Pernambucana de Cultura e Ensino (Socepe) aproveitou a internet para homenagear dona Lindaura.





Crescimento da população idosa no Brasil
Documento da Secretaria Nacional de Promoção de Defesa dos Direitos Humanos, aponta que  segundo projeções do Fundo de Populações da União das Nações Unidas (ONU) “uma em cada 9 pessoas no mundo tem 60 anos ou mais, e estima-se um crescimento para 1 em cada 5 por volta de 2050”.  Em 2050 pela primeira vez haverá mais idosos que crianças menores de 15 anos. Em 2012, 810 milhões de pessoas têm 60 anos ou mais, constituindo 11,5% da população global. Projeta-se que esse número alcance 1 bilhão em menos de dez anos e mais que duplique em 2050, alcançando 2 bilhões de pessoas ou 22% da população global”.


Dados do Fundo de Populações da União das Nações Unidas (ONU).

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