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O MOÇO DA CAMISA ROSA

Valdir Fachini


E lá vinha ele descendo a rua , todo pintoso, cheio de graça e charme com sua camisa cor de rosa. Ele gostava dessa cor, naquela época ,homem que usava roupa rosa, o pessoal chamava de baitola, maricona e mais uma centena de adjetivos, mas ele não tava nem ai.
  As mulheres todas suspiravam por ele, as solteiras disputavam ele no palitinho, as casadas se arrependiam de não ter esperado, as velhas se lamentavam por ter que ostentar suas inúmeras rugas, as meninas colocavam enchimento no sutiã pra parecer mais velhas, acho que até a alma das defuntas no cemitério tinha uma quedinha por ele;
     Os homens da cidade se descabelavam de ciúme dele, mas até que foi bom, porquê eles começaram a se arrumar melhor. O estoque de fazenda rosa da cidade acabou, trocaram as velhas botinas por sapatos de pelica que custavam o olho da cara, passaram a fazer barba e tomar banho todo dia, ficaram até jeitosinhos, alguns até arrumaram namorada depois da mudança.
     Teve macho que chegou a dizer que se fosse mulher iria dar em cima dele.
     Uma tarde, bem de tardezinha mesmo,quando os últimos raios de sol já se escondia atras da montanha, os rapazes e as moças começaram a dar volta em volta da fonte luminosa (naquela época, toda praça em frente a matriz tinha uma) as moças iam por um lado, os moços iam pelo outro, de modo que todos eles se encontravam com todas elas, só o Tertuliano não ia pra lugar nenhum, ficava parado feito dois de