Curta o Paulista Atualizado no facebook e receba todas as nossas atualizações!

Compartilhar

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

Para chegar ao bronze, Rafael Silva driblou grave lesão que quase o tirou das Olimpíadas

Creative Commons - CC BY 3.0 - O judoca Rafael Silva conquista a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio (Foto: Roberto Castro/Brasil2016)
Quando conquistou a quarta medalha do Brasil nas Olimpíadas deste ano, Baby conseguiu fechar um ciclo olímpico com um trunfo que nem ele chegou a acreditar. O fato de ter sofrido uma lesão durante os preparativos para os Jogos Pan-Americanos de Toronto (em junho de 2015) e ter, em um ano, conseguido se recuperar, garantir a vaga para os jogos e levar a medalha faz a conquista ter um gosto de superação.

PERFIL DE RAFAEL 

Obstinado, Rafael é o tipo de atleta que se dedica ao máximo nos treinos. “Ele é um atleta super disciplinado. Se falar que ele pode, que  tem que ficar dando soco na parede para ganhar a medalha, ele dá soco na parede o dia inteiro. Às vezes, ele vai além do que deveria e foi por isso que se lesionou”, conta Ney Wilson Silva, gestor de alto rendimento da Seleção Brasileira de judô. O tipo de lesão não era animador: era no tendão do músculo peitoral.

Durante seis meses, ele não pode demonstrar toda a garra que fez ele se tornar um dos melhores atletas do mundo mesmo tendo começado apenas com 15 anos (tardiamente para os padrões do esporte). Rafael voltou em dezembro de 2015 para os treinos. No início de 2016, chegou a fazer algumas competições. Mas os resultados não o animaram.

“A primeira competição que fiz foi bem difícil, foi em Cuba. Perdi na primeira luta. Foi bem difícil, foi bem ruim para mim. Aí pensei: vai ser difícil retornar. Mas fui dando tempo ao tempo. Fiz mais algumas competições perdendo na primeira e segunda rodada. Fui melhorando e consegui recuperar a confiança”, conta Rafael.

Às vésperas das Olimpíadas, ele não tinha certeza se participaria da competição. Apenas na última atualização do ranking mundial, ele conseguiu passar David Moura (campeão do Pan-Americano em que substituiu Rafael) e ficou com a vaga. “Aí a disputa por uma das vagas foi emocionante. No final, optamos por ele por ter um potencial de medalhas. A decisão foi acertada”, diz Ney Wilson.

Convocado, mas longe de ser favorito, Rafael contou com uma equipe de suporte para chegar bem jogos. Amigo de Rafael no início da carreira, o judoca Jonas Inocêncio foi um de seus companheiros nos treinos. “Eu treino com o Jonas todos os dias e ia ser mais difícil pegar ele na competição porque ele sabe tudo que eu faço”, conta Rafael.

A confiança parecia ter voltado, mas Baby precisava de só um detalhe para conseguir a vitória: a ajuda de Ayrton Senna. Ídolo do judoca, Senna é a inspiração para toda a noite anterior de competições. “Gosto de assistir ao documentário do Senna antes de lutar. Assisti ao filme, rezei um pouco. Em toda concentração tem esse ritual. Ele é um atleta que inspirador de várias gerações. É um cara que literalmente entregou a vida pelo esporte”, diz. Depois de tanta ajuda, o resultado não poderia ser outro: a medalha.