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Ato em prol da Universidade Metodista mobiliza alunos e professores



Ação, coordenada por alunos da Universidade Metodista, teve como objetivo a readmissão de professores demitidos em massa na última semana

  • Cerca de 50 professores foram demitidos em uma semana. Estima-se que o número chegue a 100, representando 20% do corpo docente da instituição;
  • Aproximadamente 20 mil alunos serão prejudicados pelas demissões;
  • Dispensas aconteceram meio à crise nacional da educação e semanas após a implementação da nova legislação trabalhista;

Alunos e professores da Universidade e Colégio Metodista, realizaram ontem, 14 de dezembro, um protesto em prol da educação no país e contra as demissões de docentes em frente à instituição, em São Bernardo do Campo (SP). Segundo o Sindicato dos Professores do ABC (Sinpro), o número de profissionais desligados já chega a 50, o que representa quase 20% do corpo docente da instituição.

A Universidade alega problemas financeiros, como a perda de 3 mil alunos, mas o Sindicato acredita que as demissões sejam políticas, uma vez que a maioria dos demitidos assinou uma ação judicial coletiva contra o atraso no pagamento dos salários e FGTS.

No ato de ontem, que reuniu cerca de 500 pessoas, a ex-coordenadora do curso de pós-graduação em Comunicação, a professora doutora Marli dos Santos, enfatizou que o protesto era para salvar o legado de 40 anos do programa. "Não se trata apenas de demissão de professores, defendemos aqui a manutenção da qualidade no ensino. Os alunos, a pesquisa acadêmica e a ciência serão prejudicados", disse. O receio é que com a substituição de professores renomados, com excelência nacional e internacional, por profissionais menos experientes o programa perca sua importante classificação na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), um legado que demorou 40 anos a ser construído.

Os manifestantes reclamaram da falta de diálogo da universidade, principalmente por ser um ambiente totalmente democrático e aberto a discussões e reflexão. "Não há conversa, não há proposta acadêmica. Querem tirar nossos professores do curso presencial e substituí-los por aulas a distância. Não podemos deixar que isso aconteça", diz a aluna e presidente do Centro Acadêmico de Jornalismo, Girrana Rodrigues Teixeira. O Sinpro ABC também passa pela mesma situação e já lançou uma nota de repúdio à falta de diálogo com a instituição: "Queremos a construção de um diálogo sério, permanente e democrático entre a reitoria, instâncias colegiadas e entidades representativas para resolver, com tranquilidade e transparência, os problemas que a afligem a toda a comunidade acadêmica".

Relembre o Caso

A Universidade Metodista de São Paulo, referência em educação na região do ABC paulista, demitiu esta semana cerca de 80 professores, mestres e doutores, das três unidades localizadas na cidade de São Bernardo do Campo (SP). Estima-se que a universidadetenha 500 docentes. Dentre os cursos afetados estão a graduação e a pós-graduação (mestrado e doutorado) de Administração, Psicologia, Ciências da Religião e Comunicação, um dos mais atingidos pelas mudanças.

"Muitos alunos estão perdendo seus orientadores, provocando insegurança na comunidade acadêmica devido à dimensão do problema que a universidade vem passando. No mestrado em Comunicação, por exemplo, há teses a serem defendidas nos próximos meses e alunos que seriam encaminhados ao exterior por seus orientadores para cursar o doutorado. As demissões têm sido arbitrárias e não demonstram respeito por esses profissionais. Trata-se de mais um exemplo de descaso com a educação e com a produção científica no País", afirma Carlos Ferreira, representante dos alunos da pós-graduação em Comunicação da Metodista.

O curso de pós-graduação em Comunicação Social, que faz 40 anos em 2018 e é referência em pesquisa científica na área, foi praticamente desmontado após as demissões. Todos os professores dispensados possuem título de doutorado e extensa produção científica. Até a quarta-feira (13), aproximadamente 90% do corpo docente do mestrado e do doutorado já havia sido demitido.

Outras universidades no País passam por crises semelhantes a da Metodista de São Bernardo do Campo. No Rio de Janeiro, a Universidade Estácio já demitiu centenas de professores. Na Unimep, Universidade Metodista de Piracibaca (SP), o cenário é o mesmo. APUC de Minas Gerais anunciou demissões esta semana. O Centro Universitário Sant'Anna, de São Paulo (SP), também passa por crise, prejudicando o semestre de vários alunos.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

  • De acordo com o Sindicato dos Professores do ABC (Sinpro ABC), ao menos 80 professores da Universidade Metodista de São Paulo foram demitidos neste semestre, desde que a nova gestão assumiu o comando da instituição.
  • Cursos que perderam professores: comunicação, educação, administração, psicologia e ciências da religião.
  • As demissões estão acontecendo nos três campi da universidade: – Vergueiro, Planalto e Rudge Ramos.
  • Os desligamentos de docentes começaram a acontecer no segundo semestre de 2017, logo depois que o novo reitor, o professor Paulo Borges Campos Júnior, assumiu o cargo de administrador da universidade.
  • Cerca de 60 orientandos estão sem orientadores (incluindo os alunos que já estão fazendo o curso e os aprovados no processo seletivo para iniciar em 2018), reflexo da demissão 8 de 11 professores, só no Programa de Pós Graduação em Comunicação.

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