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Plantas nativas podem reduzir risco de desabastecimento alimentar


Nesta semana, enquanto continua a crise do combustível devido a greve dos caminhoneiros e do crescente risco de desabastecimento também na alimentação, o Instituto Agronômico do Estado (IPA), através de uma rede de pesquisadores do Brasil (Ecolume), chamará atenção do Poder Público, universidades e da sociedade para a necessidade da soberania alimentar através das Plantas Alimentícias Não Convencionais (Panc)

Nesta sexta-feira (1ª), a Ecolume, liderada pelo Laboratório de Mudança do Clima do IPA, que vem desenvolvendo projetos no semiárido para a soberania alimentar através da agroecologia e pela agricultura de baixo carbono, financiados pelo CNPq, demonstrará que esta segurança está disponível através da natureza, necessitando só de uma reeducação da população. A alta gastronomia nacional já percebeu este potencial das Panc. E são conhecidas do público vegano, vegetariano e adeptos da vegetação orgânica. Mas elas ainda não são populares nas casas dos brasileiros, mesmo o país sendo o mais biodiverso em plantas com tais potenciais e encontradas facilmente na natureza. E o Bioma Caatinga é rico em Panc, como garante Valdely Kinupp, doutor biólogo e autor do livro best-seller que cunhou, faz dez anos, pela primeira vez a expressão Panc. E, à convite da Ecolume, ele estará na sexta no IPA em Recife. Fará pela manhã palestra para 400 pessoas e à tarde sua oficina prática para 50 pessoas, onde coletarão e prepararão pratos com tais plantas. As inscrições ainda estão abertas. Informações pelo face do Ecolume.

"Volto ao Nordeste, depois de dez anos quando vim para lançar o livro Panc do Brasil. Muita coisa evoluiu. As Panc já são uma realidade hoje no país. Os grandes chefes assimilarem este conceito. Elas diversificam o cardápio e sabores para os consumidores. Mas ainda falta o agricultor perceber tal potencial e o poder público estimular a produção deste tipo de cultura alimentar e gastronômica, capaz de promover independência alimentar com benefícios socioeconômicos e ambiental, como a geração de renda e emprego, além da valorização das plantas nativas", comenta Kinupp. O autor do conceito das Panc aproveita para convidar a todos para participar da sua palestra e oficina, promovidos pela Ecolume/IPA.

"Embora talvez não dominasse a agricultura, os nativos do semiárido já se utilizavam das Panc. Alimentavam-se, por exemplo, de cactáceas e de outras espécies com fins alimentícios e medicinais. Temos também diversas bromélias e pepinos silvestres subutilizados na Caatinga. Têm até plantas aquáticas das regiões de brejos do semiárido como Chapéu de Couro que com as folhas é possível fabricar cervejas",  fala Kinupp, exaltando a potencialidade da biodiversidade da Caatinga.

O pesquisador inclusive faz questão de realça o trabalho que está sendo feito pela Ecolume para dar visibilidade a estas potencialidades, como o estímulo para o recaatingamento do Umbu - planta nativa da Caatinga. Segundo Kinupp, o umbu é a Panc que é a 'cara' do Bioma, que, apesar de ser culturalmente consumida enquanto o prato da umbuzada, é ainda subutilizado todo o seu potencial, podendo integrar a alimentação diária. Ele garante que além do fruto para a umbuzada e para ser consumido in natura, em geleia e poupa, o restante da planta também é comestível. A folha, segundo ele garante, pode ser usada como hortaliça e para fazer drinks. No entanto, face a subutilização e todo desmatamento da fauna do semiárido, o umbu inclusive está em processo de quase extinção.

O Ecolume, por sua vez, através do projeto de Socioeconomia Verde, financiado pelo CNPq e em atividade desde o começo do ano, elegeu o umbu como uma Panc que deve ser replantada para fins de segurança alimentar em um cenário de adversidades globais das mudanças do clima. Ainda este ano, em parceria com os bancos de Germoplasma do IPA e com a escola Serta, 2 mil mudas de umbu serão replantadas. Dentre os conceitos defendidos pela rede, é possível comer Caatinga. Porém, para o conceito desta rede de pesquisadores, o comer Caatinga é somente uma parcela fundamental do mesmo sistema onde contribui para favorecer a soberania alimentar, mas também hídrica e energética.